sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Como olhamos para o passado?

É interessante perceber como aquilo que vivemos em nossa história acaba exercendo uma forte influência sobre o que somos e sobre o que vamos nos tornando na vida.
Nosso passado não determina o nosso presente, e isso, principalmente, quando nos submetemos a Deus, contudo, ele é um elemento constitutivo do que somos e com ele precisaremos tecer um constante diálogo de "ressignificação".
Todos temos um passado e uma história, e é ótimo que seja assim. E essa história, muitas vezes, comporta marcas e dores profundas: perdas, humilhações, angústias e medos. Entretanto, alguém sem história – ou que dela se oculta – é alguém sem identidade e sem um solo concreto para pisar, pois, por mais dura que esta tenha sido, ela precisa ser acoplada conscientemente ao todo que nos compõe, em um esforço voluntário de "reler" os acontecimentos sob uma nova ótica: a ótica do amor e da revelação de Deus.
Os fatos que já aconteceram, aconteceram... Sabemos que eles não poderão mais ser mudados objetivamente – na realidade dos fatos –, todavia, cremos que estes podem ser transformados subjetivamente – dentro de nós – a partir da maneira como os contemplamos, e a partir do sentido (significado) que vamos propondo a eles durante nossa existência.
O passado passou, mas, de alguma forma, ele continua acontecendo dentro de nós. Por isso, precisaremos sempre "ressignificar" os acontecimentos, não os maquiando de maneira alienada, mas os submetendo ao olhar amoroso de Deus, que de tudo é capaz de extrair um bem e um sentido maior.
O problema não é olhar para trás, pois é até preciso fazê-lo em muitos momentos da vida, o problema é com que "olhar" contemplamos o passado. Quem olha para trás com mágoa/tristeza e pena de si, aprisiona os fatos de seu passado em uma lógica de derrota, não dando a Deus a oportunidade para extrair do mal um bem superior (cf. Rm 8,28) e para apresentá-los em uma nova lógica, de vitória e de vida.
Se olharmos a partir de Deus nossa história e passado, conseguiremos, aos poucos, inutilizar nossos fantasmas e acender novas luzes na compreensão do que somos.
Nosso passado – assim como toda a nossa história – é um lugar de Revelação para nós, não temamos enfrentá-lo, pois somente a partir de um maduro encontro com ele conseguiremos, de fato, compreender aquilo que somos, e poderemos dar as necessárias respostas que a vida nos exige.
Submetamos a Deus nossa história e emprestemos d'Ele o olhar para contemplá-la... Assim, de fato, seremos mais inteiros e mais experimentados para a vida enfrentar.

Adriano Zandoná

Depressão, um mal que atinge a todos

Não há quem não tenha depressão, até entre os salmistas você encontra deprimidos. Até Jesus. Mas não podemos parar nela, senão vira enfermidade. Depressão significa "buraco". A pessoa cai no buraco - e todo mundo cai. Quem nunca ficou triste? Importante é não ficar nele. Com Deus nós saímos do buraco.O Vaticano fez um congresso sobre esse tema [depressão], porque eles estão preocupados com esse mal. Eu li o resumo desse evento e vi que são 300 milhões de pessoas no mundo que sofrem com essa enfermidade. Precisamos tratar desse povo.
Depressão tem cura, e esta tem 3 caminhos:- Procure um médico psiquiatra; ele pode dar remédio;- É preciso um psicólogo para saber como se comportar diante das situações difíceis;- O tratamento tem de ser físico e espiritual.
A medicina cuida do corpo e Deus cuida da alma. E a depressão é uma doença mais da alma que do corpo. E quem cuida da alma é o psicólogo e a religião. Não tenha medo de procurar os três tratamentos. Vá ao grupo de oração e peça oração, mas vá também ao médico. Se você puder buscar alguém que tenha experiência e maturidade para rezar por você, ótimo.
Essa doença é muito difícil de ser diagnosticada. Eu coloquei no meu livro uma relação de coisas que uma pessoa deprimida pode apresentar: doença crônica, problema afetivo, falta de sentido para a vida, excesso de trabalho. Essas são causas. Mas o que a pessoa sente? Muitos podem ser os sintomas da depressão como: cansaço, pensamento de culpa, tristeza, autoestima baixa, falta de apetite, falta de vontade de rezar, fadiga, memória fraca, insônia, dificuldade para decidir, pensamento de morte, quedas de cabelos.
Não adianta falar que a pessoa é fraca. Não importa por que ela está em depressão, você tem de tirá-la do buraco. Tem de juntar pai, mãe, irmãos, namorado. Rezar abraçado com a pessoa uma Ave-Maria, chamá-la para tomar um sol, sair, tomar um sorvete... Tem de tirar a pessoa do buraco com carinho e devagar. É um ato de amor e caridade - e a família é importantíssima nisso.
O deprimido tem de agir contra esse mal, ou seja, reagir, não pode se entregar à tristeza. Temos de cultivar a alegria. Não podemos ficar no buraco.
Como sair da depressão? Você tem de ver o valor que você tem. Só assim não ficará no buraco. Só fica nesse local quem não dá valor a si mesmo. Quem fica nesse lugar é lixo. E você é uma obra de Deus! Perceba o valor que você tem. Você é um ser, alguém muito importante para Deus. Pare de falar que você não tem valor, que você não presta! Você tem valor: isso é a primeira coisa que um deprimido tem de entender. Você é filho do Dono do mundo!
Você quer a prova de que Deus Pai o ama? Jesus disse que Ele pode ter 99 ovelhas, mas se tem uma perdida Ele deixa as 99 para buscar você. Se você é a ovelha deprimida, perdida, Ele larga as outras e vai buscá-lo.Entenda o valor que você tem. Você é um filho amado de Deus, e não tem direito de "queimar" sua vida. A graça não dispensa a natureza. O Todo-poderoso está pronto para mover o céu para que seu milagre possa acontecer, mas Ele não move uma palha para fazer aquilo que você pode fazer.

Felipe Aquino

Os desafios da Igreja Católica no século XXI

Como manter princípios e fiéis no mundo moderno individualista?
A moral e os costumes, a arte e a ciência, a política e até a economia, toda a bagagem cultural que a humanidade carrega hoje foi tocada e, freqüentemente, moldada pelo cristianismo. Não houve na história personagem mais influente do que o pregador que se dizia filho de Deus. Seus ensinamentos e a religião fundada em seu nome triunfaram por vinte séculos, enfrentando e vencendo crises com uma força que para os fiéis só pode ter inspiração divina. É uma história respeitável, para dizer o mínimo.
No entanto, o novo milênio iniciado há pouco traz desafios talvez ainda maiores para a sobrevivência e a predominância do cristianismo. Especificamente, apresenta grandiosos obstáculos ao seu braço mais vigoroso – e rigoroso -, a Igreja Católica. Como será daqui para a frente? Como serão a face e a voz de Jesus Cristo – e de sua Igreja mais antiga - num mundo em furiosa transformação tecnológica e de costumes?
O primeiro obstáculo apontado por especialistas não é novo, e nunca deixará de espreitar a cristandade em qualquer época e local: a chamada secularização, fenômeno pelo qual as crenças e instituições católicas deixam de pertencer a uma esfera puramente religiosa – ou mística - para ganhar contornos leigos, e, muitas vezes, filosóficos. A história cristã apresenta diversos exemplos concretos de secularização, da tomada dos bens da Igreja pela nobreza alemã protestante no século XVI até a pregação dos líderes da Teologia da Libertação no Brasil dos anos de 1960, quando a religião foi usada na formulação de teorias sociopolíticas.
Num sentido mais genérico, a secularização que preocupa o Vaticano é a tendência que as pessoas têm - hoje em dia mais do que nunca, talvez - de ignorar os ensinamentos da Igreja. A indiferença de quem ouve é o pavor de todos os doutrinadores. É muito comum encontrar fiéis que querem ser bons católicos sem ter de seguir à risca cada um dos ditames dos padres e sacerdotes. Eles se afirmam cristãos convictos ao mesmo tempo em que usam métodos anticoncepcionais, fazem aborto ou casam-se e divorciam-se ininterruptamente, por exemplo.
Soma-se a este problema interno as pressões exercidas por boa parte da sociedade ocidental - católicos e não católicos – para que a Igreja “se modernize”, seja mais coerente com situações corriqueiras nos dias de hoje. No passado, o Vaticano afastou as mulheres do sacerdócio e proibiu os padres de se casarem. Atualmente, isso começa a parecer para muitos devotos um dogma que engessa a fé em regulamentos ultrapassados. O fim do celibato clerical já chegou a ser apontado com uma saída para evitar escândalos como o dos padres pedófilos, que infestaram a igreja dos Estados Unidos e sabe-se lá mais de onde.
Num horizonte mais distante, há ainda os pedidos de aceitação do casamento gay – já legalmente realizado em alguns países. Dentro do catolicismo, a questão que não tem, ao menos hoje, muitas perspectivas de ser resolvida em breve. Certa vez, ao encontrar a diretora executiva da ONU, o papa João Paulo II afirmou a ela, com o dedo em riste: "Uma família é um marido, uma mulher e suas crianças. E o casamento é a única base de uma família. Os homossexuais e as lésbicas não são famílias".
Como se não bastasse o efeito provocado no catolicismo por estas questões contemporâneas, a Igreja ainda se vê às voltas com o complexo desafio de manter a unidade da doutrina cristã ao mesmo tempo que faz aberturas na direção de outras crenças. Como admitir a existência de outros credos sem perder a fé na hegemonia de seus princípios? A bandeira do ecumenismo nunca foi tão levantada dentro e fora do Vaticano, o que levou o clero romano a repensar sua postura sobre o tema durante o século XX. Houve até acenos de conversas com os protestantes, numa suposta tentativa de restabelecer a unidade que uma vez existiu entre as duas correntes. No entanto, estes fracos sinais não escondem os problemas de convivência que existem – mais em alguns pontos do planeta do que em outros – entre católicos e judeus, ou entre católicos e muçulmanos, por exemplo.
O ambiente de ampla liberdade religiosa que predomina na maioria dos países cristãos – mais nos protestantes do que nos católicos - permitiu, por exemplo, que o islã construísse uma de suas maiores mesquitas em plena Roma dos santos e dos papas. Mas os cristãos têm de disputar espaço com o islamismo nos países onde ele predomina. A construção de qualquer templo que não seja uma mesquita é rigorosamente proibida nos países islâmicos. O islamismo não se contrapõe apenas ao cristianismo, mas ao pensamento ocidental como um todo. Tendo a Igreja Católica a importância que tem no mundo ocidental, ela será sempre uma das primeira instituições convocadas a discutir as querelas com os muçulmanos.
Todos os desafios atuais enfrentados pelo Vaticano foram mais do que prenunciados desde o fim do século XIX. A maior tentativa de reação aos “tempos modernos” do catolicismo foi a organização do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965. O objetivo dessa grande assembléia religiosa proposta pelo papa João XXIII era dar impulso à dimensão pastoral da instituição, atenuando o papel inquisitório por ela desempenhado nos séculos precedentes. O norte dos debates foi o diálogo com o homem moderno e com as outras religiões, e suas resoluções foram a principal fonte de inspiração para todos os papas que o seguiram – o mais notável foi João Paulo II, que nunca se cansou de evocar o Concílio para justificar suas ações.
Diante de tantos obstáculos, a Igreja chega ao início do século XXI procurando afirmar-se como instituição capaz de dar conta de questões morais e políticas que extrapolam o plano da fé. Mas, principalmente, inicia o milênio pregando o apego à pureza doutrinária e à tradição, como estratégia para se impor a um mundo volátil e de frágeis valores morais. Foi o que fez João Paulo II, e ó que vem fazendo seu sucessor, Bento XVI. O tempo dirá se a decisão de seguir por este caminho é capaz de adaptar a religião à sua época ou se levará a Igreja a um indesejado isolamento.

Fonte: http://veja.abril.com.br

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

As nossas tentações de cada dia

Como é duro perceber que ainda caímos por coisas tão pequenas. Como é penoso perceber que ainda não nos deixamos ser conduzidos pelo Espírito Santo... não aprendemos a resistir a ponto de sangue!
De vez em sempre, circunstâncias bem diferentes daquelas que almejamos surgem à nossa frente. São situações que provocam e estimulam os nossos mais remotos sentimentos.
Sentimentos estes que pensávamos estar sob o nosso controle, de repente, afloram... nos fazendo sentir raiva, impaciência, e às vezes, nos trazendo as lembranças dos prazeres que nossa carne desfrutara outrora e, que agora, se colocam contra tudo aquilo que edifica o nosso espírito. Isso tudo nos faz lembrar que ainda trazemos um espinho em nós!
As circunstâncias apresentadas por aquele que é sórdido nos levam sorrateiramente, sem causar alardes, nos anestesiando dos grandes choques e conflitos internos, evitando assim, a nossa resistência imediata. Mas, a grande intenção do mal está em drenar as nossas forças; tal como a água morna que nos faz relaxar em uma banheira.
Quando estivermos tomados pela situação sem considerar as conseqüências dos nossos atos - tomados pela ira ou pela sensação aparente de prazer - os olhos da nossa razão serão abertos para o que havíamos nos proposto em razão da vida nova.
A intenção do maligno está em nos afastar do nosso compromisso de vivermos como cristãos, como pais, profissionais e amigos de Cristo. O desejo dele é que não exerçamos o nosso ministério, nos descaracterizando da pessoa de Cristo.
Entretanto, mesmo ainda abatidos, temos chance de ser ressuscitados pela força do sacramento da reconciliação e na grandeza do amor de Deus para conosco, lembrando que: "é para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão." (Gal 5,1).
Deus nos abençoe!

Dado Moura

Quem crê não recua

Se… e apenas “se” permitirmos, os problemas e as dificuldades poderão abalar a nossa paz e nos ameaçar com a sombra da derrota.
Pedras esperam por você durante todo o trajeto; chute-as para fora do caminho se forem pequenas, sente-se sobre elas e espere – se forem grandes –, até que se manifeste o auxílio divino e lhe sejam multiplicadas as forças da alma para removê-las. A tentação não o esqueceu nem se cansou de arquitetar planos e realizar investidas para enganá-lo, seduzi-lo e destruí-lo; ela tenta derrubá-lo pelo cansaço, inaugurando uma armadilha em cada “esquina” da sua vida.
É importante parar um pouco, fazer os cálculos e verificar se você continua operante e em condições de travar combate, se tem forças e as armas corretas consigo; parar e verificar como está a sua fé. A fé é aquela “carta na manga”… aquela “arma secreta” que é guardada para o momento-chave; qualquer um pode chegar à vitória se souber “dispará-la” no momento exato. Basta querer e, então, poderá obter sua vitória, arrancando-a à força das garras da derrota.
Não importa o tamanho do problema, nem a força do mal que o aflige, desde que você tenha a coragem de expor seu coração e mantê-lo no alto, bem acima da dúvida, diante dos olhos de Deus. E esteja certo de que de uma hora para outra essa situação vai virar.
A fé pode mudar tudo em qualquer momento; já que o Senhor é poderoso para transformar a derrota na mais deliciosa e esperada vitória. Esse dom divino paralisa a força do inimigo. Quando o diabo encontra uma pessoa que crê, ele dá um passo para trás, antes de bater em retirada.
Quem crê não recua, avança sempre na certeza de que Deus está no controle de tudo.

Márcio Mendes

Uma lição de amor

Naquela tarde, eu e um amigo queríamos ver um filme legal. Fomos ao Cinema, mas nem sabíamos o que nos esperava. Decidimos, meio forçados pelas circunstâncias, assistir "As Torres Gêmeas".
Sabíamos pouco sobre o filme e não julgávamos que fosse bom, mesmo assim resolvemos arriscar, afinal, estávamos tão empolgados com o reencontro que ir ao Cinema era mais um pretexto de diversão.
Após os trailers e comerciais roubarem uns quinze minutos de nosso precioso tempo, o filme começou. Aos poucos cessaram nossos comentários e a euforia repentinamente deu lugar à calma, estava pronto o cenário para a gravação de uma grande lição de amor.
"As Torres Gêmeas" relata acontecimentos vividos por membros da Polícia Portuária sobreviventes ao desabamento do World Trade Center na manhã de 11 de setembro. Quem não se lembra?
Os atores Nicolas Cage e Michael Pena dão vida e emoção a cada momento vivido pelos policiais McLoughlin e Jimeno, que naquela manhã de verão em New York receberam talvez a principal chamada de suas vidas.
Quando os policiais preparavam-se para ajudar os feridos da primeira torre, foram surpreendidos pelo segundo ataque e ficaram soterrados sob blocos de concreto e metais retorcidos, seis metros abaixo da área dos destroços. Apesar de não poderem ver um ao outro, os dois podiam se ouvir e, durante 12 horas, conseguiram se manter vivos falando de suas famílias, de suas vidas num misto de frustrações e esperanças.
A lembrança de pessoas queridas e o desejo de reencontrá-las era a força que os mantinha vivos. A cena faz real a afirmativa: "Quando sabemos que alguém amado nos espera, temos forças pra superar qualquer desafio". O amor é a força que alimenta a esperança, fortalece o espírito e renova a vida.
A cumplicidade entre os dois sobreviventes é também uma grande lição de vida. Em determinado momento do resgate, o bombeiro Jimeno, apesar de extremamente ferido, chega a autorizar que cortem uma de suas pernas para facilitar a busca do companheiro que estava em situação pior que a sua, e diz: "Sem uma perna eu conseguirei viver, mas se ele morrer eu não vou resistir..."
Fiquei pensando se eu teria a mesma disposição daquele homem, o mesmo amor pela vida, a mesma cumplicidade, a mesma esperança e amizade.
Destacam-se também cenas dos parentes apreensivos vivendo o calvário da espera pelos seus vivos ou mortos, enquanto lembravam o último adeus, o ultimo sorriso, o ultimo abraço... Cada um só desejava uma coisa: que a vida lhes desse mais uma chance!
Enquanto assistia ao Filme, acontecia uma revolução em meu interior. Pensei no valor da vida e também na sua brevidade. Nunca sabemos quando vamos partir e qual é realmente a nossa última despedida... Pensei no valor que dou a cada encontro no meu dia-a-dia, mesmo os mais corriqueiros.
Compreendi que vale a pena viver quando temos consciência do valor que a vida tem. E que é preciso abrir mão do que não é essencial para salvar outros.
Descobri ainda que pode não dar mais tempo de pedir desculpas, dizer eu te amo, muito obrigada, ouvir aquela música, responder um e-mail, dar um abraço, terminar o projeto... e que, por isso mesmo, eu preciso fazer tudo que posso hoje sem deixar o comodismo me vencer. Enfim, aprendi que cada dia tem seu único valor e que, portanto, preciso vivê-lo de maneira única e entusiasmada.
As lágrimas que rolaram soltas no final do longa-metragem foram também testemunhas de que compreendi a lição. Eu e meu amigo só queríamos ver um filme, mas Deus quis muito mais do que isto.
Gosto desse jeito do Senhor nos surpreender e ensinar as lições da vida.

Dijanira Silva

Apocalipse, um livro misterioso e fascinante

Por possuir revelações e abordar situações parecidas com as vividas por nós hoje, muitos cristãos têm medo do Apocalipse, o último livro do Novo Testamento. Esses escritos foram redigidos pelo apóstolo São João, já no final de sua vida, por volta do ano 100, sob a forma de uma carta às Igrejas da Ásia menor, que viviam tempos difíceis de perseguição romana.
Para o sacerdote, o Apocalipse é uma obra difícil de ser compreendida. “São Jerônimo já afirmava: ‘Cada palavra contém um mistério’. O último livro da Bíblia, muitas vezes, é interpretado incorretamente, não fiel à mensagem original”.
Os escritos são divididos em duas partes: a primeira contém uma série de cartas enviadas às Igrejas e a segunda, visões e imagens que expressam o juízo de Deus na história.
O estudioso ressaltou o cuidado com o verdadeiro sentido do termo, pois, quando acontece um desastre ou até mesmo um atentado, como a destruição das Torres Gêmeas – em 11 de setembro de 2001 -, logo é utilizada a palavra “apocalipse”; sem contar os filmes e livros que abordam o assunto. “O Apocalipse é como um roteiro já pronto para cinema. O que não quer dizer que o conteúdo e a forma utilizada sejam reais nos vários filmes produzidos. Essas obras trabalham com especulações e fantasias, sem nenhum apoio teológico real”, alertou.
Mazzeo também fez questão de enfatizar que o Apocalipse não é um livro para ser temido, mas interpretado segundo os critérios teológicos. “Não é real pararmos nas visões sem uma chave de leitura adequada. O importante do ‘livro da revelação’ é o chamado à conversão, à volta ao Deus bom e misericordioso - o nosso ‘alfa e ômega’, princípio e fim”, salientou.

Fonte: http://blog.cancaonova.com

Ambição e ganância

É muito interessante observar as crianças: já prestou atenção quando elas ganham um brinquedo? Aquele sonho de meses ou até anos, em pouco tempo se desfaz quando elas ganham o tão sonhado presente. A satisfação de ganhar, rapidamente se transforma numa nova insatisfação e, logo, elas almejam um novo objeto.
Nesse sentido, filósofos indicam que o homem insatisfeito é aquele que tem a capacidade de provocar mudanças ao seu redor. A insatisfação é uma condição humana que faz parte da evolução do homem. Vale aqui fazer uma distinção entre ambição e ganância, pois muitos podem pensar que querer algo mais se trata de ganância. O ambicioso constrói, ao passo que o ganancioso destrói. A ambição pertence às qualidades do homem; a ganância, a seus defeitos.
Imagine um casal, no qual uma das partes, satisfeita com a conquista, se esqueça de cuidar, de amar, de dar atenção: é como se, satisfeitos com aquilo que já têm, não continuem a dar atenção ao relacionamento e, aos poucos, deixem-no morrer. Um homem satisfeito com seu trabalho faz apenas aquilo que lhe é dado e, muitas vezes, não se lança ao novo.Pensando nos jovens, é sadio imaginar que, nessa fase da vida, eles querem mais, querem fazer diferente ou mudar e melhorar aquilo que são. O que não é bom, nesse caso, é um jovem que não tem perspectivas ou que nada quer para sua vida.
Devemos ter cuidado com a ansiedade gerada por nossa insatisfação, pois com ela, surgem sentimentos em nós como o autodesprezo, a diminuição de nossas habilidades ou o sofrimento, quando não conquistamos nossos projetos. Quando a ansiedade nos abraça passamos a gerar queixas e mais queixas com o objetivo de abandonar esse sentimento. Essa situação pode ocorrer, mas conforme o tempo passa, chega a frustração, situação que se torna até mais difícil de administrar dentro de nós.
Uma forma para observarmos e nos relacionarmos com a insatisfação humana é fazermos uma conta: qual a distância existente entre a ambição e a ganância?
Vale lembrar que estar insatisfeito é buscar o diferente, buscar a mudança naquilo com o qual não concordamos ou que poderia ser diferente. Porém, a ambição pode ser considerada um sentimento positivo se pensarmos que ela favorece o crescimento e a superação em todas as dimensões de nossa vida.
Percebe como tanto o ganancioso quanto o ambicioso são insatisfeitos? A diferença é a forma como cada um canaliza e trabalha com seus desejos. O ambicioso quer chegar lá para se realizar e compartilhar, enquanto o ganancioso quer chegar primeiro para pegar a parte maior e não ter que repartir. Podemos chegar à conclusão de que ambição faz parte das qualidades do homem, já a ganância pertence aos seus defeitos. Quando não temos o equilíbrio necessário é que nos vemos envolvidos com o sentimento de ganância, ou seja, o querer cada vez mais para nós em detrimento dos outros, o que não é saudável, pois “anulamos” o outro neste nosso desejo que querer sempre mais.
E você? Como tem lidado com a insatisfação em sua vida?

Abraço fraterno!

Elaine Ribeiro

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A força do hábito

Todo dia é assim, você acorda na mesma hora, toma banho apressado, senta no mesmo lugar da mesa, toma café olhando mais para o relógio do que para qualquer outra coisa. Depois de um tchau, mãe, estou indo... Sai correndo para pegar o ônibus, pois não pode perdê-lo... Diga-se de passagem, no mesmo ponto e no mesmo horário. Encontra quase sempre as mesmas pessoas, que aliás, fazem a mesma coisa todos os dias...
Este é o início do dia de milhões de brasileiros, talvez, o seu talvez não seja assim, mas, afinal quem de nós não tem uma rotina?
Até aí tudo bem, o problema está em deixar-se levar pela rotina e assim perder algo maravilhoso que temos: a sensibilidade, dom de Deus!
Coisas novas acontecem todos os dias e as mesmas pessoas têm atitudes e dão respostas diferentes diante de situações semelhantes. Perceber e acolher isso é uma graça. Tarefa difícil, principalmente para os que se dizem de temperamento agitado, devido ao acúmulo de coisas a fazer, ou porque achem tudo normal, e não vêem mais diferença nos detalhes.
Pense um pouco no quanto foi importante receber aquele sorriso naquele dia, aquele telefonema exatamente naquela hora... Aquele olhar, que mesmo sem palavras, disse tudo.
Como fazem diferença estes pequenos detalhes em nossas vidas! Eles quebram a rotina e dão um colorido especial aos nossos dias.
Que digam os namorados, quantas "briguinhas" teriam sido evitadas, se ele tivesse percebido que ela cortou o cabelo, os escovou ou fez seja lá o que for para chamar-lhe atenção!
Vivemos na era do imediatismo, da pressa, tudo é automático, rápido e prático, mas com a gente deve ser diferente. A força do hábito não pode nos dominar!
Nesses dias, conheci uma fábula que me fez pensar no assunto, que a partilho agora com você:
Conta-se que havia na região um homem rico e inteligente, gostava de dar bons conselhos, mas, nem precisava, pois sua própria vida já era um exemplo a ser seguido.
Até que um dia, um sábio, passando pela região, contou-lhe um segredo que mudaria sua vida. Disse-lhe que ali perto de sua propriedade havia um rio com várias pedras em seu leito, e que uma delas escondia um poder mágico, porque tudo o que nela tocasse viraria ouro.
E para encontrá-la só teria um jeito: tocar nesta pedra, pois, aparentemente todas eram iguais; esta, no entanto, transmitiria um calor a quem a segurasse na mão.
O homem não perdeu tempo, vendeu tudo que tinha, armou uma cabana no leito do rio e começou a pegar uma pedra após outra, depois outras mais, e jogá-las novamente na água, passava os dias inteiros nesta tarefa, até que isso virou um hábito, uma rotina para ele!
Até que, finalmente, numa bela manhã, encontrou a tão procurada pedra. O pior é que pela força do hábito, também a jogou de volta no rio, e quando percebeu que a mão havia esquentado, já era tarde demais.
Muitas vezes, fazemos a mesma coisa. "Jogamos fora" aquilo que mais procurávamos por insensibilidade ou força do habito e só percebemos isso depois.
Acredito que cada acontecimento, mesmo que seja o mais comum, nos traga algo diferente e belo. Nenhum dia é igual ao outro; nenhuma pessoa é igual a outra, por isso, não podemos nos deixar levar pelo hábito, pelo costume e, muito menos, pela insensibilidade.
Depois que conheci esta fábula tenho dado mais atenção aos meus hábitos. Se quiser, faça o mesmo, provavelmente, terá boas surpresas.
Não somos máquinas programadas para fazer determinadas tarefas, temos sentimentos, capacidade de amar e perceber a beleza da vida por mais difícil que ela seja.
Hoje, procure dar mais atenção às coisas e às pessoas que o cercam, valorize os detalhes!
Transpor a força do hábito e ver a beleza que se esconde no ordinário do dia-a-dia é uma arte. Deus já o fez artista e já o capacitou. Vamos à luta? Estamos juntos!

Dijanira Silva

A natureza nos ensina

A natureza é uma bela obra de Deus; toda ela foi feita para nós num gesto do amor de Deus; sendo divina ela está repleta de beleza, harmonia, cores e lições que nos ensinam a viver. Jesus a usava sempre em Seus ensinamentos. "Olhai os lírios do campos...", veja a semente da mostarda, olhe os pastores e as ovelhas...Olhai para os campos, onde todas as coisas falam do amor: onde os ramos se abraçam, as flores dançam, os pássaros namoram; onde a natureza toda glorifica o espírito.
Galileu disse que a natureza é um documento escrito nas linguagens matemáticas. Tudo nela é preciso, ordenado e belo. Os elétrons giram em torno do núcleo do átomo com leis precisas; os planetas giram todos em torno do Sol, obedecendo às três leis precisas descobertas por Kepler. Todos os corpos caem em queda livre com a mesma aceleração da gravidade que Torricelli determinou fazendo experiências na Torre de Pisa.
Você pode não receber flores todos os dias em sua casa, mas Deus as manda pela natureza quando você vai para o trabalho.
A natureza é séria, calma, silenciosa, severa, sempre verdadeira. Os erros é que são nossos. Um provérbio diz que Deus perdoa sempre, o homem de vez em quando, a natureza nunca. Ela não tem raciocínio e não tem coração; mas vive dentro de sua perfeição mineral, vegetal e animal. Cabe a nós, homens, cuidar dela para podermos desfrutar bem das suas dádivas. Na natureza não há recompensas ou castigos. Há apenas consequências.
A primeira lição que a natureza nos dá é que Deus existe; ela não poderia existir com tanta beleza e perfeição se não tivesse um Criador poderoso e bondoso. Como disse o francês Voltaire: não pode haver um relógio sem um relojoeiro. Nunca acredite no acaso, por favor; acaso é apelido que dão a Deus aqueles que não têm coragem de pronunciar o Seu Nome. Esses são infelizes por natureza, porque renegam o próprio Criador; jamais experimentarão a verdadeira felicidade.
Olhe, por exemplo, para as vacas e lembre-se de que os maiores cientistas nunca descobriram como tirar leite do capim. Gratuitamente a natureza faz isso para nós. Nenhum prêmio Nobel até hoje jamais conseguiu compreender o que é a vida de uma simples formiga.
Padre Antonio Vieira afirmou: "Se queres ser mestre na fé, faze-te discípulo da natureza". De fato, a natureza é mestra. O pesquisador inglês Eddington dizia que "nenhum ateu é admirador da natureza".
A natureza é lenta, mas não para, e é segura. É um lema de vida; viver de maneira lenta, mas sem parar; a pressa é inimiga da perfeição. Quanto mais complexo é um trabalho, tanto mais devagar ele deve ser feito. O tempo destrói tudo que é construído sem a sua colaboração.
Em um mosteiro, um jovem discípulo questionou o seu mestre. - Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam. Insuportáveis são as falsas e invejosas.
- Pois, viva como as flores! Advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? Perguntou o discípulo.
- Repare nas flores, continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não nossos. Se não são nossos, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.
Olhe para o mar; majestoso e belo. Ele é grande porque aceitou humildemente ficar alguns milímetros abaixo de todos os rios da terra; por isso é imenso. Todos podem vê-lo porque ele aceitou ficar lá embaixo; não nas alturas aonde poucos podem chegar.
O mar é rico exatamente porque ele permite que todos os rios, grandes e pequenos, neles deságuem e lhe tragam as suas riquezas. Muitos homens excluem com facilidade os outros e deixam de receber suas riquezas. O mar interliga as nações, une os povos, aceita a simples canoa do pescador e também o gigantesco transatlântico. Ele não discrimina nada e ninguém, é "pobre de espírito", por isso é muito rico. Ele está pronto a dar o seu peixe ao pobre pescador e à grande companhia de pesca que o desbrava. Ele está aberto dia e noite para todos; não cobra impostos para ser usado e respeita os limites que as montanhas lhe colocaram. Ele só faz mal a quem não conhece a sua natureza e desrespeita as suas leis.
Olhe para o céu, ele nos ensina muitas maravilhas; antes de tudo é imenso, maior do que a terra e o mar, não pode ser medido; os cientistas se angustiam procurando os seus limites insondáveis. Eles sabem que o universo se expande com uma velocidade fantástica! Ninguém sabe onde ele termina. Penso que Deus o fez assim incomensurável, para nos deixar uma pequena amostra de Sua infinitude e ninguém jamais duvidar da Sua grandeza e do Seu poder.
Olhe para os pássaros do céu, como disse Jesus, não ceifam nem recolhem os frutos nos celeiros, mas não lhes falta o alimento de cada dia. O Pai do céu cuida de cada um deles. Eles se reproduzem sem interrupção e não ficam preocupados se vão poder ou não alimentar os seus filhotes. Quando algum malvado destrói o seu ninho, eles não desanimam, voam em busca de outro lugar e recomeçam tudo de novo.
Toda a natureza nos dá belas lições. Que beleza a água! Mata a nossa sede e a de todos os seres vivos; limpa o que é sujo, refresca o calor, sustenta a vida na terra. Embora seja o elemento mais importante da natureza, é o mais simples: dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Em sua simplicidade ela [água] nos ensina como devemos viver: não se nega a ninguém; mata a sede do rico e do pobre, desce do céu para os bons e para o maus, sem distinção, aceita ficar suja para limpar os outros; aceita ser fervida para amolecer a comida, aceita virar gelo para conservar o frio, aceita ser acumulada para gerar a força das hidrelétricas; aceita sumir na terra para saciar a planta... Depois de usada, aceita voltar para as nuvens e retornar para a terra a fim de começar tudo de novo, sem se cansar. Quanta lição!
Olhe para a minúscula semente. Nela há uma humildade enorme. Ela contém toda a vida de uma enorme árvore que ainda não existe, e aceita desaparecer e morrer na terra para dar a vida. Ela é extremamente pequena, mas sua força é descomunal. Ela não escolhe a terra para produzir; aceita qualquer solo em que a lancem; e faz de tudo para florescer, sem reclamar.

Felipe Aquino

Deus visita o Seu povo

"Onde está Deus?" "Por que não se manifesta diante de todas as misérias do mundo?" "Um fogo vindo do Céu não seria oportuno para acordar as pessoas?" São perguntas recorrentes em nosso tempo, assim como em outros períodos da história humana.
E muitas vezes nos escandalizamos com o aparente silêncio de Deus, enquanto Jesus Cristo, Deus verdadeiro e Homem verdadeiro, faz notar que o Pai trabalha sempre! Deus Pai age em silêncio, mas age sempre. E em Sua misericórdia, enviou o Filho amado, que percorreu as estradas de nosso mundo, sentindo tudo com um coração humano. E concedeu-nos o Espírito de Amor, para que tenhamos entranhas de misericórdia e, em nome de Cristo, testemunhemos a ternura de Deus por Seu povo e sejamos Seus instrumentos até os confins da terra, pois o que esperamos, de acordo com a Sua promessa, são os novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça (cf. 1 Pd 3, 13).
Jesus percorria a Galileia e se aproximou da pequena cidade de Naim (cf. Lc 7, 11-17). A narrativa é dramática: parecia castigada por Deus a mulher que perdera prematuramente o marido e o filho único. Uma cena de dor e um enterro! E dois cortejos se encontram à porta de Naim: o cortejo da vida e o cortejo da morte. O primeiro é formado por Jesus e pelos discípulos d'Ele, o segundo era constituído pela pobre viúva e muita gente da cidade.
Também nossa existência é frequentemente atravessada por dois movimentos, a vida que se afirma em nós, como um instinto que parece invencível, e a cada dia a dolorosa experiência da morte e que ronda, bem perto de nós, sabendo que um dia nos tocará de perto. E em nosso tempo, muitas vezes, é a morte que vem mais em relevo, tornando-se mais divulgada com seus rasgos de violência, corrupção e maldade em todos os recantos. E acabamos esquecendo-nos da vida presente e da vida prometida no futuro por Deus, em quem cremos.
A emoção de Jesus, que sente compaixão da mulher, toma conta de todo o Seu ser! O Filho de Deus anuncia e vive a ternura profunda do Pai pelos sofredores, aos quais anuncia o Evangelho da salvação: "Não chores!" Seu gesto é de aproximação: "Tocou o caixão". E sua palavra forte é "Jovem, eu te ordeno, levanta-te"!
"O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram tomados de temor e glorificavam a Deus dizendo: 'Um grande profeta surgiu entre nós', e: 'Deus veio visitar o seu povo'. Esta notícia se espalhou por toda a Judéia e pela redondeza inteira". Terminou a procissão da morte! A vida venceu!
As atitudes de Cristo são para nós sinais de esperança e consolação, pois dizem que Ele olha para a nossa condição e que Suas entranhas de misericórdia não ficam indiferentes diante do sofrimento humano. Ele pode transformar nossos cortejos fúnebres em danças de louvor a Ele, Autor da vida. Por isso, pode pedir-nos que não choremos. E se Ele restitui a vida ao jovem, a esperança se transforma em certeza.
Tudo isso, em realidade, já nos aconteceu. Quantas vezes, Deus nos visitou! E continuamos a transformar a vida em procissões fúnebres, sem prestar atenção ao bem que se faz presente e ao bem que podemos fazer. É hora de transformar as lamentações em confiança, na certeza da vitória da vida! É hora de ouvir as canções entoadas pela fé e ritmadas pela esperança!
E o Evangelho poderá fazer-se vida em nós, quando superarmos a indiferença diante de tudo o que acontece em nosso tempo, pondo mãos à obra na construção de um mundo diferente. Com a graça de Deus, que nos acompanha, seremos instrumentos d'Ele para que a festa da vida se celebre no dia a dia, onde quer que passemos.

Dom Alberto Taveira Corrêa

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Forças para vencer

Quando Saul viu Davi partir ao encontro do filisteu Golias, disse a Abner, seu general: ”De quem é filho este jovem, Abner?” – "Por tua vida, ó rei, respondeu Abner, não o sei". Quando alguém reza e pede a Deus forças para vencer, o Senhor o prepara para a vitória e lhe envia exercícios que o capacitarão para o combate.
A força da carne vem pela atividade dos músculos, a força da alma pela prática da fé exercitada em meio aos sofrimentos. Por isso, quando situações incômodas, duvidosas e até mesmo angustiantes se levantarem à sua frente, como gigantescos combatentes, não se desespere. Deus não nos envia um desafio superior às nossas capacidades, nem permite que sejamos tentados para além das nossas forças. Este gigante, que avançou contra você, está fadado a tombar debaixo da sua espada. Enfrente-o ou ele o perseguirá e o escravizará sob as cadeias do medo.
O Senhor está preparando os seus guerreiros; é preciso que sejam adestrados nas pequenas lutas para que não esmoreçam nos grandes combates. Então, quando o Senhor, que os preparou em segredo, manifesta-os ao mundo, este se escandaliza por não conhecer suas armas, não entender como lutam e não saber onde estiveram todo este tempo. Os guerreiros de Deus são humildes como as lágrimas que tantas vezes derramaram; pois sabem que se a água não descer das montanhas não matará a sede nem gerará vida. Se ele se humilhar e suportar com paciência as contrariedades que o envolvem, Deus o exaltará e fará dele um homem extraordinário, conhecido pelas vitórias em suas lutas; e o levantará bem alto como a vela sobre o alqueire para que brilhe a sua luz e se manifeste a grandeza de sua alma.
O seu valor será reconhecido, e o longo tempo em que manteve acesa a chama de sua esperança, bem como as inúmeras renúncias feitas em favor do cumprimento da vontade de Deus, serão recompensados. Então o guerreiro verá que nenhuma luta, por menor que tenha sido, foi travada em vão.
Davi era só um menino. Não o conheciam. Ninguém reconheceu como arma os objetos que trazia em suas mãos. No entanto, derrubou sozinho um gigante que um exército inteiro não ousou enfrentar. Talvez você seja só um menino que o mundo não conhece… talvez você não compreenda o treinamento… mas Deus o cumula de força e o mantém adestrado para o combate muito mais do que você imagina. Aceite isso! O que quer vencer precisa descer ao campo de batalha para ser treinado. Ninguém sobe ao pódio do triunfo sem antes ter experimentado a arena da tribulação.

Márcio Mendes